por Mônica Herculano

publicado em: 21 de Junho de 2011

Em plena ditadura militar, um norte-africano que passou a infância na Argentina e se naturalizou brasileiro fez uma verdadeira revolução na nossa arte.

Alex Vallauri é conhecido como o precursor do graffiti no Brasil mas, além disso, foi um verdadeiro representante da arte urbana – não só aqui, como também em ícones cosmopolitas, como a cidade de Nova Iorque.

Sua história é contada no livro “Alex Vallauri – Fundamentos estéticos do pioneiro do graffiti no Brasil”, escrito pelo historiador e crítico de arte João Spinelli – após 11 anos de pesquisa – e recém-lançado pela editora Bei.

Quem nasceu antes de 1980 e viveu em São Paulo nesta época certamente se recorda da bota preta impressa nos muros da cidade, da luva preta de cano longo ou da Rainha do Frango Assado, símbolos do trabalho de Vallauri, que hoje quase não vemos mais, mas que marcaram e estão na memória de muita gente.

Formado em Comunicação Visual na FAAP, ele queria fazer uma arte acessível a todos, que extrapolasse os fatores comerciais, as paredes das galerias e museus. “A preocupação constante em acompanhar não apenas a evolução tecnológica da gravura, mas em especial sua ininterrupta contribuição estética foi o que levou Vallauri às ruas. O artista percebeu que, além de estar em livros, pôsteres e cartazes impressos, a gravura poderia também, de uma forma mais imediata, ser estampada nas paredes e muros das grandes cidades”, diz o autor.

A ideia era que pessoas que não tinham acesso ou o hábito de frequentar museus e galerias de arte pudessem apreciar sua obra.

Mera coincidência com os recentes movimentos em defesa do graffiti como expressão artística e suas características democráticas?

Como muitos dos grafiteiros que vemos hoje em dia expondo seus trabalhos nas ruas das metrópoles – mais uma herança? -, Vallauri sempre pesquisou, estudou muito e se esforçou para entender e descobrir novas possibilidades para sua arte.

Em Nova Iorque, por exemplo, no começo dos anos 80, percebeu que o que estava em exibição era em sua maioria pichações. Logo pediu que sua mãe enviasse seus materiais e começou a reproduzir nos muros da cidade. Por ser tão incomum, virou um sucesso e a prefeitura o convidou para organizar eventos e cenários para grandes festivais de rock realizados em parques. Vallauri virou até cartão postal nova-iorquino, ao lado de nomes como Basquiat e Keith Haring.

Ele dizia que “enfeitar a cidade, transformar o urbano com uma arte viva, popular, da qual as pessoas participem”, era a sua intenção. “Sempre quis registrar uma mensagem alegre, uma doce brincadeira no meio da aridez urbana”.

Conseguiu. E fez escola.

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Mônica Herculano acha que uma das coisas mais legais que São Paulo tem é a arte que está nas ruas. E que ela deve ser tão cuidada quanto a que fica dentro das galerias.

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