por José Sampaio e Roberta Martinho

publicado em: 15 de Março de 2010

Que bom dedicar um tempo ao universo de Andy Warhol (1928-1987) para poder compreender que enxergá-lo apenas como o reprodutor de ícones de cores berrantes é uma abordagem superficial.

A mostra é uma retrospectiva concebida pelo curador canadense Phillip Larratt-Smith que juntou 44 filmes, 26 pinturas, 58 gravuras, 39 fotos e duas ilustrações, todas as obras bastante pontuais que na totalidade trazem muitas discussões acerca do polêmico e atualíssimo artista.

A maioria dos trabalhos dessa mostra foram criadas na época em que Warhol morava na lendária Factory, o estúdio onde trabalhava, reunia amigos e promovia festas. O lugar  era mais que um atêlie de arte, era um espaço messiânico criado pelo artista onde arte e a sacralização de certos padrões de atitude se misturavam, com a intensidade que a época inspirava.

A ótima montagem e o espaço generoso da Estação Pinacoteca permitem ao grande público a boa contemplação das mais de 170 obras bem distribuídas pelo espaço.

Durante o percurso as discussões vão surgindo e muitas questões podem ser levantadas o que não acontecia na época em que Warhol estava em seu auge: a hegemonia de políticas ditatoriais sufocava todas a matizes existentes entre o preto e o branco e a aparência suprimia a forma.

Questionado sobre sua crença no sonho americano, Warhol foi categórico ao responder: “Não acredito, mas dá para se ganhar muito dinheiro com ele.”

O que existe por trás desta frase? Um gostar da situação acomodadamente ou uma grande ironia em tratar como obra de arte ícones de consumo de massa? De qualquer forma esta afirmação permeia toda a produção do artista.

Esse americano foi persistente e perspicaz em sua condição de artista multimídia, trabalhou muito bem em todas as linguagens, na fotografia, na música (viva Velvet Underground!), na pintura, serigrafia, cinema, vídeo. Não existem verdades nem certezas na obra de Warhol, o que o torna um artista eternamente instigante.

Serviço
Andy Warhol – Mr. America
Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66, Luz
Fone: 11 3335-4990
Das 10h às 18 horas (fecha segunda-feira)
R$6 (aos sábados a entrada é gratuita)
De 20 de março a 23 de maio

José Sampaio é jornalista e videoartista. Roberta Martinho é socióloga, produtora, pesquisadora de arte e cozinheira.

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