por Patricia Oriolo

publicado em: 3 de Março de 2011

Desculpe, mas eu preciso aproveitar a oportunidade para fazer o meu comercial. No meu livro “A Balada do Louco” tem um capítulo chamado “A Vodca quase destruiu a Rússia” e pode parecer piada, mas depois de ler “O Rei da Vodca” cheguei a conclusão que é a mais pura verdade. Toda a sociedade russa foi constituída econômica, cultural e socialmente por causa da vodca. Sem a vodca a Russia seria um outro país. Boa parte de seus infortúnios está ligada a vodca e também a bebedeira generalizada de seus cidadãos que permaneceu por anos sem controle.

O livro, muito bem escrito pela jornalista americana Linda Himelstein, narra a saga da família Smirnov, que você deve conhecer com dois “fs” no final: Smirnoff, a versão ocidentalizada da marca bilionária de vodca mais famosa do planeta.

A história do livro conta desde o nascimento em 1831 do servo na Russia czarista, Piotr Smirnov, até os dias atuais.  Smirnov  foi um homem admirável na sua capacidade de inovação, administração e ousadia. Marcada por triunfo e tragédias, a história dos Smirnov não perde para nenhuma novela. É uma narrativa cativante que mostra ainda as tórridas disputas entre os herdeiros do império, o monopólio estatal, a  cruzada por sobriedade apoiada por grandes nomes como Tchekhov, Tolstoi e Dostoievski, a revolução bolchevique, a abertura da Russia comandada por Gorbachev e ainda a popularização da vodca por James Bond. Afinal quem não se lembra de Sean Connery em “007 contra o satânico dr.No’ bebendo o famoso drink vodca-martini” “batido, não mexido” preparado com Smirnoff. Desde então, garrafas de Smirnoff apareceram em 21 dos 22 filmes da série. Esta foi uma das muitas jogadas de marketing que a empresa usou ao longo da sua história para fazer sucesso, mas esta em particular tinha um endereço certo: fazer as pessoas de mundo todo beberem  vodca. Parece que deu certo. “Hoje, mais de 23 milhões de caixas de nove litros de vodca Smirnoff são vendidas por anos em cerca de 130 países. Quase 150 anos depois de sua fundação, ela é a bebida Premium mais vendida no mundo, superando a segunda, o rum Bacardi, em aproximadamente 4 milhões de caixas.”

“O rei da vodca” não é a biografia de um homem só. É a história de uma cultura, de uma sociedade. É um livro épico muito bom de ler.

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Patricia Oriolo – roteirista que adora vodca pura, com gelo e três gotas de limão, por favor.

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