Meu amigo Totoró (Tonari no Totoro), uma animação, do diretor japonês, Hayao Miyazaki, o mesmo de A viagem de Chihiro, deve ser assistida de coração aberto, para que possa aflorar a criança adormecida que habita cada um.
Antes de assistir esse desenho é necessária uma pequena preparação do espírito. Então se dispa do adulto que lhe habita e deixe despertar a pureza da criança que está escondida por debaixo de tanta responsabilidade e preocupações da vida de gente grande. Liberte a imaginação.
Depois desse pequeno ritual, é hora de dar play e fazer uma boa viagem ao interior do Japão e sua rica cultura. E tenha um bom encontro com sua criança interior.
Totoro é a história de uma família, constituída pelo pai, Tatsuo Kusakabe, professor universitário, e suas duas filhas Mei, a mais nova, Satsuki, a filha mais velha e a mãe, Yasuko Kusakabe, que está internada em uma clínica para tratamento de saúde. Eles, Tatsuo e as duas filhas, se mudam para uma casa que fica num vilarejo próximo à cidade na qual está localizada a clínica de Yasuko, no interior do Japão, e dessa maneira possam estar mais próximos, até o término do tratamento dela.
A casa é de arquitetura tipicamente japonesa, localizada próxima a uma enorme árvore de cânfora, com um quintal envolto pela natureza, para que assim as crianças desfrutem de todo esse contato com a natureza que a cerca.
Satsuki estuda e Mei ainda é muito pequena para ir à escola, então fica em casa brincando pelos arredores. Até que um dia vê uma criaturazinha parecida com um texugo e começa a segui-la. O pequeno ser entra na floresta e a menina o segue, até chegar à raiz da grande árvore que tem um buraco, por onde Mei entra. Despenca por ele e cai sobre uma enorme criatura, igual a que estava perseguindo, porém com dimensões gigantescas. Ele acorda e ela descobre que o nome dele é Torōru, mas Mei não consegue pronunciar e fala Totoro.
Então começam suas aventuras por um mundo mágico, cheio de fantasias que são divididas com a irmã mais velha, sua companheira e amiga. Satsuki também logo encontra Totoro, pois ela ainda mantém viva sua inocência.
Meu amigo Totoro não tem nenhuma pretensão de ser dessas animações com lições de moral. E para mim, talvez, a única lição mesmo seja a de nunca deixarmos a nossa criança esquecida, ou mesmo morta. Nos mostra com suavidade e ternura sobre o mundo infantil com seus medos, limitações e superação, alegrias, imaginação, amizade, amor e companheirismo, simples como toda criança é e como devêssemos permanecer.
É uma animação que vale a pena ser vista, pela maestria de Miyazaki, com sua capacidade impar de nos mostrar de forma inigualável a simplicidade da vida e os sentimentos, sem ser piegas. E tratando com respeito e sinceridade as crianças, sem subestimá-las ou menosprezar seus sentimentos.
Enfim, Totoro é desses filmes para se ter em casa e sempre revisitá-lo, para fortalecer a criança que nos habita e sem deixá-la se perder dentro de nós.
Tonari no Totoro/ Meu amigo Totoro (1988)
• Direção: Hayao Miyazaki
• Roteiro: Hayao Miyazaki, Cindy Davis Hewitt
• Gênero: Animação/Aventura/Fantasia
• Origem: Estados Unidos/Japão
• Duração: 86 minutos
• Tipo: Longa-metragem
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1 Comentário para Revisitando a criança que nos habita
10 de Jan 2011 às 17:54
Ahhhhh… é lindo Totoro. Meu sobrinho de 2 anos que me apresentou. O desenho predileto dele! Tem um outro tmb q no original chama-se Majo no Takyubin (Kiki’s Delivery Service) da bruxinha Kiki e seu gatinho Jiji, não sei se esse tem traduzido, mas vale procurar… é ótimo!