por João Paulo Cruz

publicado em: 9 de Agosto de 2010

Mesmo depois de inúmeros filmes nacionais assistidos, Bye Bye Brasil é o meu preferido. As aventuras da Caravana Rolidei, comandada por Lord Cigano (José Wilker em belíssima atuação) e Salomé (Betty Faria) ainda hoje me emocionam. O filme me traz aquela sensação de saudades de um Brasil que eu não vivi ou que não existe mais. Tem um jeito mambembe e mágico, inocente e cruel ao mesmo tempo, um brasilzão perdido, esquecido por Deus e pelos governantes com um charme triste e desimportante, que vai sendo desbravado a cada parada da Caravana. Tem O Fábio Jr, novinho, novinho na pele do sanfoneiro Ciço, que se junta à trupe junto com sua mulher Dasdô (Zaira Zambelli) numa dessas paradas. A caravana vai cortando o Norte e Nordeste brasileiro, vendendo ilusão, sexo e circo, servindo de alento pra quem não tem nada ou quase isso.

Com o aparecimento da televisão e a perda da inocência sertaneja a caravana se desfaz. A chegada à Altamira faz com que eles se deparem com uma realidade não imaginada. O filme até tem um final otimista mas nos deixa uma sensação melancólica, saudades de um país continental, belo e exótico , esquecido nos seus anseios e utopias. A maravilhosa canção de Chico Buarque, que dá nome ao filme, recheia as paisagens dessa história de um realismo ácido, repleto de sonhos e saudades de um Brasil. Talvez seja por isso que até hoje me emociono.

Ficha técnica
By Bye Brasil 1979
Direção: Cacá Diegues

Produção: Luis Carlos Barreto

Trilha Sonora: Chico Buarque, Dominguinhos, Roberto Menescal

João Paulo Cruz, 35 anos, é photoshoper e cinéfilo. Ele realmente acredita que viver, além de ter saudades é fazer amor e cuitivar amizades.

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