por Roberta Martinho

publicado em: 5 de Setembro de 2010

Depois de dias e dias de seca absoluta, pó acumulado, calor fora de época chega no cinco de setembro de 2010 um friozinho delícia com garoa, a umidade esperada de São Paulo, num dia histórico escrevo este texto, cinza bom bucólico cheio de vontades e clima.

E de climas a exposição de Jan Fabre está repleta.

A obra que nos recepciona é um grande jardim de insetos feitos de armadura e em sua volta, nas pequenas salas, outros pequenos universos, que são lindos e grotescos, repulsivos e sedutores, sim: de reações dúbias a mostra está cheia.

O que imaginar de uma instalação chamada “O Carnaval dos Vira-Latas Mortos”? Quando entrei a minha sensação foi a mesma de quando criança vi pela primeira vez a pintura de um palhaço triste.

Estranho? Pois é, todo o meu percurso foi de livre associação com minha coleção de memórias, das coisas que vivi, vi e sonhei, desde histórias medievais até os filmes de Cronemberg que nunca enjoei de ver desde minha adolescência.

Relações múltiplas com uma narrativa fora de qualquer realidade previsível.

Materiais como asas de besouro, ossos humanos, sangue, bichos empalhados se transformam em instalações, esculturas e desenhos instigantes e cheios de significados pulsantes.

É um trabalho completamente pessoal que consegue ao mesmo tempo ser absolutamente universal, nada é uma coisa só, posta, óbvia e fica ressoante com certeza na maioria dos que tiveram contato com este espetáculo ambíguio.

Jan Fabre, nascido na Antuérpia em 1958, tem mais de 30 anos de trajetória, não só nas artes plásticas, mas na dramaturgia, na literatura, coreografia e design.

Esta é a primeira mostra individual dele no Brasil, composta de 19 obras que abrangem um percurso de 1977 a 2007.

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Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 -Pinheiros

Tel. (011) 2245-1900.

11h/20h (fecha segunda).

Grátis. Até 10/10

Roberta Martinho é socióloga, produtora, pesquisadora de arte e cozinheira.
www.studiointro.com.br

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